Lily Allen para Chanel

Modelos em baixa, celebridades em alta! Famosas roubam a vez das tops nas principais campanhas internacionais e comprovam: a palavra supermodel já não faz muito sentido na moda (texto publicado na Vogue de outubro)

 Madonna aparece com ares de diva, vestindo top vinho de mangas bufantes, carregando nos braços uma bolsa monogramada, tudo Louis Vuitton. Com o jeito de moleque que é sua marca registrada, Lilly Allen posa com saia de cintura alta, casaqueto preto e bolsa acolchoada da linha Coco Cocoon, num total look elegantérrimo – e ainda assim jovial – da Chanel. Marion Cotillard, a atriz francesa que Hollywood adora, é flagrada no downtown Manhattan com bolsa Lady Dior. Legenda de looks de famosas flagradas por paparazzi? Nada disso. As descrições acima são apenas alguns exemplos de campanhas de marcas poderosas, que nesta estação substituíram as tops queridinhas das passarelas por celebridades amadas pelas massas. A lista inclui também Victoria Beckham para a Emporio Armani, a ex-Harry Potter Emma Watson para a Burberry, Scarlett Johansson para a Mango. E ainda rostos menos conhecidos, mas com “DNA celebrity”, como o da atriz Mamie Gummer, filha de Meryl Streep, que estrela a campanha da marca francesa Gerard Darel. Ou Alexandra e Theodora Richards, filhas do Stone Keith, garotas-propaganda da French Connection. Aqui no Brasil, Juliana Paes e Grazi Massafera são as prediletas das grifes, a primeira fazendo um jogo lesbian chic com Cleo Pires em fotos para a Arezzo.

Atriz estampar campanha de moda não é lá grande novidade. Vira e mexe, grifes globais apostam numa celebridade para fazer barulho. Mas nada se compara à invasão total que se vê nesta temporada. “É um tempo difícil para as modelos”, explicou Marc Jacobs para Suzy Menkes em recente matéria sobre esse assunto no International Herald Tribune. “O conceito das supermodels apareceu numa época em que as atrizes não eram tão interessantes. Hoje em dia Hollywood está recheada de rostos jovens. E agora existe a tecnologia digital para fazê-las ainda mais bonitas”, detecta ele, que sempre apostou em amigos famosos para as campanhas da sua Marc Jacobs e agora conta com Madonna pela segunda vez consecutiva como rosto da Vuitton.

Além das fashionistas de Hollywood, as tops de hoje enfrentam outra competição cruel: a das it-girls, meninas bem-nascidas que viram ícones fashion pela atitude e pelo guarda-roupa poderoso, que inspiram mais confiança no público que uma simples modelo. Elas costumam sentar nas primeiras filas dos desfiles de seus estilistas favoritos, vestidas dos pés à cabeça com roupas deles e, vez ou outra, terminam aceitando dar uma de modelo diletante. A grife italiana Tod’s foi das primeiras a perceberem que as it-girls tinham credibilidade fashion maior do que modelos e, neste inverno, decidiu fazer toda a campanha com meninas quase desconhecidas, todas estilosíssimas, donas de alguns dos sobrenomes mais potentes da Itália.

Escolher como garota-propaganda mulheres com as quais a grife e suas clientes se identificam parece ser mesmo a nova regra. Veja por exemplo a inglesa Emma Watson, que cresceu na vida real ao mesmo tempo em que seu personagem nas telas, a jovem Hermione, de Harry Potter, e recentemente tem aparecido em listas de mais bem-vestidas mundo afora. Bingo – o título lhe rendeu um convite de Christopher Bailey para ser a estrela da “oh, so British” Burberry. Esse posto, aliás, já foi da modelo e it-girl Agyness Deyn, única top de sua geração que tem feito sucesso exatamente por mesclar esses dois universos e se tornar, como a moda precisa, referência de estilo.

“Para as modelos terem a mesma força comercial das estrelas de Hollywood, elas têm de viver um cotidiano glamoroso e público”, decreta Anna Wintour. A questão é que, como são recrutadas cada vez mais cedo, as modelos que hoje fazem sucesso nas passarelas não levam essa vida glamorosa a que Wintour se refere – muitas nem sequer têm idade legal para frequentar bares e afins e, quando são fotografadas em festas, ninguém presta muita atenção, já que não dão a impressão de estarem se divertindo horrores, como ainda faz Kate Moss e como faziam Linda, Naomi e Cindy no auge da era das supermodels, na virada dos anos 80 para os 90. De tão conhecidas, elas dispensavam sobrenomes e, num processo inverso ao que está acontecendo agora, “roubavam” espaço das atrizes de Hollywood, assumindo o papel da celebridade que todo mundo deseja ser – para refrescar a memória, pense no clipe Freedom, de George Michael, de 1990, com todas elas na tela.

Cada uma tinha seu próprio estilo, não serviam apenas de cabide na passarela. “Eu costumava desenhar roupas individualmente para cada modelo, considerando tanto sua personalidade quanto suas necessidades e desejos”, recorda Thierry Mugler em entrevista a esta Vogue. Para ele – que desde que se desfez de sua grife, no fim dos 90, se dedica à direção de musicais –, esse processo deixou de existir na moda atual. “Enquanto as modelos não virarem celebridades de novo, não as vejo vendendo tantas capas de revista quanto as atrizes”, completa Anna Wintour, que costuma estampar famosa atrás de famosa nas capas da Vogue americana

PS:

Lí essa matéria no blog da Maria Prata e achei incrííível e trouxe para vcs.
Vou deixar o end. da matéria aqui ( http://www.prataporter.com.br ):
http://colunistas.ig.com.br/prataporter/2009/10/20/o-ataque-das-celebs/#comments

Bj Bj e + Bjs

(saudade de estar aqui diariamente)

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